CRISTO, O NOVO TEMPLO
Irmãos e irmãs, em nossa caminhada rumo a páscoa, chegamos a
um grande oásis que refresca a secura da vida. Este oásis é o Domingo, dia de
escutar a Palavra de Deus, receber a eucaristia, reunir a comunidade. O esquema
litúrgico da quaresma é mistagogicamente oportuno para irmos com Jesus ao cume
de sua vida: paixão, morte e ressureição. Aos poucos esta caminhada vai se
tornando mais leve pois estamos nos aproximando das grandes festas da vida
nova, a páscoa. Iniciamos longe, lá no deserto (primeiro domingo) na força do
Espírito Santo vencendo o demônio. Na montanha (segundo domingo) experimentamos
a antecipação da gloriosa ressurreição que anima nossos corações. Hoje o sinal
litúrgico-interpretativo da mensagem que a Palavra de Deus nos oferece é o
templo. Cristo é o novo lugar de encontrar Deus, novo templo; profeta renovador
do culto; nova lei.
Na primeira leitura ouvimos as palavras sagradas da lei
antiga, de Moisés, onde o autor sagrada escritura, vai colocando o positivo da
lei e também as consequências de sua não observância. Esta lei, Deus deu ao seu
povo para que garantisse o mínimo ético comum a comunidade dos judeus e também
a religião. Assim, a lei de Moisés, possui uma função religiosa, mas acima de
tudo social, garantindo os direitos mínimos como a propriedade, o respeito à
vida, à justiça. Destes preceitos um dos mais exigentes era a frequência ao
culto no templo do Senhor. A observância dizia quem podia ou não podia entrar:
os impuros, os pecadores públicos, a mulheres estéreis, os leprosos. Lei antiga
combinava templo antigo, culto conservador. Este cenário da situação do templo era
acompanhado de uma concepção teológica muito enraizava na religião judaica:
Deus não estar em qualquer lugar, Ele habita no templo. Assim, todos os
piedosos deveriam ir ao templo para prestar culto e oferecer sacríficos. Foi se
gerando em torno do templo um comércio liderado por ricos de Jerusalém e
apoiado pelos sacerdotes da religião do templo.
Cristo vai a Jerusalém para a festa da festa da páscoa e lá
encontra o comercio no templo. A partir dessa cena decorre uma série de fatos
que depois passam a serem vistos com uma nova interpretação na vida cristã e
colocando a centralidade na pessoa de Jesus. São estas atitudes de Cristo:
expulsa os vendilhões do templo, manda destruir o templo antigo, se proclama
novo templo e novo culto. Cristo é o lugar de encontrar Deus, ou seja, Ele, no
mistério de sua morte e glorificação, se tornou o único meio de aproximar os
homens de Deus. Entre estes e o próprio Deus não existe mais nenhuma barreira,
pois foi destruída pela sua vitória. Ele, se proclamando novo templo e também novo
culto se faz também nova lei e
não anula a lei antiga, mas a plenifica. A partir disso tem sentido o que Paulo
disse na Carta aos coríntios (segunda leitura): Cristo crucificado é sinal de
salvação para todos.
Irmãs e irmãs, agradeçamos a Deus Pai que nos deu seu Filho
como caminho seguro para chegarmos a Ele.
Cristo é Novo templo e Nova Lei que nos deu a vida por meio de sua vida.
Deus abençoe a todos na caminhada rumo a páscoa.
Pe.
Raimundo José
Pároco
de São João XXIII
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