5º.
DIA - CEGO DE NASCENÇA
A narração da cura de um cego
de nascença contém muitos mistérios e muitos ensinamentos para nós. Através
desta narração revelam-se para nós as coisas de Deus. Já no inicio do
cristianismo, esta narração sobre o cego exercia uma função importante na catequese
pré-batismal. E hoje, no tempo de quaresma, quando queremos renovar o nosso
batismo, a liturgia nos manda este trecho sobre o cego de nascença. Tentemos
também e nós, hoje, penetrar nesta narração para mergulhar nas coisas de Deus.
Caminhando, viu Jesus um homem
cego de nascença. Esta constatação não se refere somente àquele episódio. É uma
constatação com o significado universal. Ela diz respeito a cãs homem, a casa
um de nós. Jesus, encontrou o homem cego de nascença. Cada um de nós era ou
ainda é esse cego. E cada um de nós encontrou ou encontrará Jesus que há de
devolver a vista. Isso não é uma metáfora, isso é verdade, isso é a realidade.
As luzes verdadeiras, que ilumina todo homem, veio a este mundo. Na vida de
cada homem já existiu ou virá esse momento, quando nós, como cegos, nos
encontraremos com Cristo, que abrir-nos-á os olhos. E esse é o mais importante
momento de nossa vida. A doação de vista já aconteceu varias vezes na vida. E
ele realizar-se-á radicalmente no momento, quando passaremos da escuridão desta
vida para a luz eterna. E para compreender melhor em que consiste este abrir
dos olhos por Cristo, devemos compreender antes em que consiste a nossa
cegueira.
A nossa cegueira espiritual é inevitável, cada um de nós é
tocado por ela (atingido por ela). Cada um é tocado (tangido) pelo pecado. E o
pecado, na Sagrada Escritura, é chamado: escuridão, cegueira. E cada um carrega
dentro de si mesmo as consequências do pecado e por isso é cego, sem vida. A
nossa cegueira é dupla. Antes de tudo, não é capaz de perceber aquela luz que é
o próprio Deus, que é Jesus Cristo. A nossa cegueira consiste nisto que nós
enxergamos somente aquilo que é avistado pelos sentidos. No entanto, temos que
transpassar pela cortina deste mundo para ver a luz verdadeira, que é Deus.
Deus, que nos revelou por Jesus Cristo. A luz que veio ao mundo. Mas a trevas
não a receberam. Muita gente encontra o Cristo, mas não reconhece n’Ele Deus.
Isso é a cegueira da incredulidade.
Há ainda outro tipo de cegueira: não somos capazes de ver a
nós mesmos na luz. Cada um de nós carrega dentro de si a imagem de mesmo(a
própria imagem). Mas ninguém tem capacidade de conhecer-se, conhecer a si mesmo
em toda verdade. Geralmente, criamos em nossa alma uma imagem de nós mesmos e
não no damos conta disso que essa imagem é falsa, uma fantasia, que isso é uma
mentira, não somos aqueles, quem julgamos ser.
Seguidamente, alguém nos tira deste erro. Nós julgamos que somos
inteligentes, sábios, e ele nos prova que somos ignorantes. Imaginamos que
somos lindos, atraentes, e alguém nos dirá que somos feios. Mas esses são
somente os fatos externos. Na realidade, a nossa cegueira penetra, estende-se
muito mais profundamente. Cada um de nós carrega animadamente a imagem de si
mesmo, a imagem criada segundo próprio gosto, contudo, não raramente
defrontamos a verdade sobre nós. E aí nos enchemos de nojo e até de repugnância
em relação a nós mesmos. Não somos capazes de aceitar-nos a nós mesmos. E por
isso que não somos capazes de assimilar a verdade sobre nós mesmos, de novo
recorremos a ficção, aos sonhos, a verdade sobre nós, porque nós
verdadeiramente somos isso, o que somos para os olhos de Deus.
O homem, se não tivesse um espelho, não poderia ver a si
mesmo, somente alguém outro poderia lhe dizer como ele é, e o homem é assim,
como o vê outro homem. Assim também ocorre com o nosso relacionamento com Deus.
Deus nos vê e nós somos aquilo que somos
aos olhos de Deus e não aquilo que julgamos de ser. Somente isso, o que Deus
sabe de nós é verdadeiro. E quando a imagem de Deus sobre nós se torne a nossa
imagem, então nos apresentamos em verdade diante de Deus e diante de nós
mesmos. Aí então será curada a nossa cegueira. Seremos curados da escravidão da
mentira que vive em nos. E quem poderá nos livrar desta cegueira?
E da primeira e da
segunda cegueira(pois uma depende da outra) pode no livrar a luz de Deus. O
pecado, contudo, não no permite conhecer a luz de Deus. E em conseqüência, essa
impossibilidade de conhecermos a Deus não no permite de conhecermos a nós
mesmos. E isso é um círculo vicioso. Somente Ele, Jesus Cristo, o nosso
Salvador pode nos libertar desta situação. O Evangelho seguidamente operado é
um sinal. E esse sinal nos diz, que Ele é para nós: Eu sou a luz do mundo. Ele,
e unicamente Ele dispersa as trevas e a escuridão, unicamente Ele pode nos
livrar desta cegueira. Unicamente Ele é a luz e sem essa luz não podemos
conhecer-nos a nós.
Voltemos ao cenário
do Evangelho de hoje. Cristo age num modo estranho. Ele poderia simplesmente
dizer: “vê!” E com a sua palavra curar o cego. No entanto Ele diz diferente.
Faz lodo com a saliva, e como o lodo unge os olhos do cego e depois diz: “vai,
lava-te na piscina de Siloé”, o que significa: enviado. O que significa tudo
isso na sagrada escritura, a água é sempre sinal daquele que é enviado. E quem
é enviado por Jesus Cristo? A resposta é clara: O Espírito Santo. O Espírito
Santo sempre aparece no sinal de água vida. E aqui ainda encontramos esta
palavra misteriosa: Siloé – enviado. Através deste sinal, Cristo quis sublinhar
que a nossa cura de cegueira é a obra do Espírito Santo, o qual Ele nos
enviará. E agora nos perguntamos: quando, em que momento de nossa vida isto
aconteceu? Na hora do nosso batismo. Naquele
momento fomos lavados com a água. Mas essa água que nos purificou é o Espírito
Santo, que nos foi dado naquela hora. É no batismo que Cristo, pelo sinal de
água, envia o Espírito Santo a nossa interioridade. Recebemos o batismo quando
ainda éramos bebês, quando ainda não usávamos a razão, mas com o tempo,
crescendo como homens de fé, homens crentes, havíamos crescidos nesta fé como
aqueles que retomaram a fé, homens crentes a vista. Graças a luz do Espírito
Santo recebida, havíamos reconhecido os nossos pecados, podíamos celebrar o
sacramento da penitencia, portanto, não fomos já totalmente cegos. Mas durante
a nossa vida muitas coisas aconteceram com a nossa fé. As vezes, este fé
desenvolve-se na vida juntamente conosco, mas há casos que nós nos
desenvolvemos sob aspecto físico, intelectual, e a nossa fé enfraquece,
esmorece e até perece. E não raramente no tempo de juventude perdemos a fé. E
então, na raramente, caímos na segunda cegueira. De novo não conseguimos
reconhecer a Deus e a sua luz; de novo, não somos capazes de conhecer a nos mesmos
na verdade. Especialmente neste período de juventude criamos para nós a própria
imagem, sonhamos. E isso acontece, às vezes, em tal grau que alguns passam a
ser doentes mentais. Essas pessoas criam para si imagem falsa e se identificam
com ela de tal modo, que já não são pessoas normais.
Em nossa vida, pois há de chegar o memento que pela segunda
vez temos que nos encontrar com Cristo. A fé da criança há de tornar-se a fé
madura. Creio que muitos de vocês poderiam narrar da própria vida uma
acontecimento deste tipo, quando reconquistaram a fé da infância perdida.
Quando viveram o momento de uma extraordinária iluminação.
Isto acontece em diversos modos. E nem todos devem viver
isso num só instante, como iluminação. As vezes isso vem devagarzinho, gradativamente,
como o nascer do sol. Talvez alguns conservam a fé desde a infância, enquanto
os outros perderam-na e de novo a adquiriram. Mas uma coisa é certa: não há
homem que não tivesse recebido a fé durante a sua vida. Isto está dito no
Evangelho: “esta luz era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo
homem” (Jo 1,9).
Se ainda este momento não aconteceu em tua vida, tem certeza
de que mais cedo ou mais tarde ele virá. Quem sabe, talvez somente na hora da
morte. Pode ser que ainda muitas vezes irás aproximar-te a esta luz e depois te
afastar. Mas posso assegurar a cada um dos presentes aqui, nesta Igreja, que a
luz verdadeira que ilumina cada homem, veio ao mundo. Quem ainda não viveu
isso, isso viverá que no caminho da vida dele apresentar-se-á Cristo. Jesus
Cristo encontrou no seu caminho e cego de nascença. Virá este momento, se ainda
encontra Cristo. Jesus irá te ordenar, neste ou outro modo, lavar-te com água,
isto é, Ele te dará o Seu Espírito, que é Enviado e Então abrir-se-ão os teus
olhos.
Mas ainda prestemos atenção a uma coisa. O cego lavou os
seus olhos. E os outros o perguntaram como aconteceu isso que ele retomou a
vista. “Jesus fez lodo, ungiu-me os olhos e disse-me: Vai a piscina de Siloé e
lava-te. Fui, lavei-me e vejo”. Quem é esse Jesus? Não o conheço. Algum
profeta, homem que veio de Deus. Portanto, aquele cego não sabia ainda tudo,
teve ainda assombrada a imagem de Cristo, e eis que vem um outro momento agora,
momento pelo qual cada um deve passar na vida. Temos uma fé, mas temos que nos
encontrar outra vez com Cristo. Quando Jesus encontrou, pela segunda vez o
cego, parou diante dele e perguntou-lhe: “Credes no Filho do homem?”. O cego
ficou surpreendido. “ Quem é ele, Senhor, para que eu creia nele?”. Disse-lhe
Jesus: “Tu o vês, e o mesmo que fala
contigo!”. E o cego respondeu: “Creio, senhor” e prostrou-se diante d’Ele.
Já aconteceu na vida que Jesus parou diante de ti e
perguntou-te: “Crês no Filho do homem?”. Pergunta direta e pessoalmente: Eu,
aquele que estou diante de ti e que falo, somente a ti e a mingúem outro, eu te
chamo pelo nome, porque te conheço e te pergunto: “ Tu crês em mim?” E
justamente isso há de acontecer: que nós temos que confessar: “Creio, Senhor”.
Creio não num Deus dos filósofos, não numa força sobrenatural, não numa
doutrina cristã, mas “eu creio em Ti”. Tenho que me colocar: “eu” diante “Tu”.
Aquele e me pergunta: Eu devo acreditar n’Ele. Em nenhum dos homens, em nenhuma
Igreja, nenhum sistema, mas tenho que dize a Deus: “Creio, Senhor”.
E justamente para isso fazemos evangelização, para que todos
pudessem dizer: Creio, senhor. Assim dizem já todos, os que na nossa frente
ofereceram a Deus o testemunho da fé. Isso é possível, pois eu vivi isso, assim
falam aqueles que acreditaram em Cristo.
Jesus Cristo é o meu Deus?
Temos que aceitar Cristo de novo como meu salvador, que me
amou, que morreu por mim na cruz, que para mim pregava o Evangelho que quer
introduzir-me na Luz, que quer ir comigo, que quer me pegar nos braços, como
ovelha perdida. Assim temos que encontrar a Cristo, o Nosso pessoal salvador.
Podes fazer isso hoje. Talvez amanhã, podes fazer isso em
casa, numa solitária oração silenciosa, sem testemunhas. Quem sabe, talvez
ainda hoje, esta noite, irás sentir uma inquietude e sentirás a necessidade de
oração, então levantaras e começarás a rezar.
Talvez o encontrarás amanhã, quiçá – daqui a muitos anos.
Cada um tem o seu caminho. Se já estás sentindo este desejo de encontrar a
Jesus neste modo e desta maneira acredita n’Ele, então, pós esta cerimônia, vem
aqui em frente dos bancos para encontrar-te com a equipe evangelizadora. Ela
dirá o que faremos no futuro próximo como iremos proceder.
E quem ainda não esta decidido,
reze, Deus está muito perto. Nos separa d’Ele a distancia de somente uma
oração. Pois há somente uma oração que aproxima a Deus: “Vem, Senhor Jesus!”
ORAÇÃO:
Senhor,
Tu és a luz do mundo, nós somos cegos. Nós somos a escuridão. A minha fé é
muito fraca. Não sou capaz de criar a verdadeira imagem disso, quem sou eu
diante Teus olhos. Creio, Senhor, Tu surgiste no caminho; creio, que Tu me
olhas, me penetras. Creio que Teu queres ser a minha luz. Tu, que recebeste o
poder de enviar o Espírito Santo, mande-O ao meu coração. Que Ele se torne em
mim a luz e para que nessa luz em possa conhecer. Creio que já me havias dado o
Espírito Santo, mas faz que Ele se revele em mim com nova força, que se torne
de nove a minha luz.
Creio no teu amor. Os meus pecados, a escuridão, a minha
cegueira, tudo te dou, tudo entrego nas tuas mãos.
Vem, Senhor, sê minha luz, envia-me a tua luz. Amém.
Padre Raimundo José Ribeiro da Silva
Pároco de São João XXIII
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